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Maria do Sagrado faz defesa firme contra o racismo e cobra responsabilidade nos discursos da Câmara.

Vereadora afirma que conhecimento e educação são fundamentais para combater o preconceito e defende respeito no uso da tribuna
A discussão sobre racismo, preconceito e intolerância religiosa ganhou novamente espaço na Câmara Municipal de João Monlevade. Durante a sessão desta quarta-feira (9), a vereadora Maria do Sagrado fez um pronunciamento firme sobre as declarações realizadas no plenário na semana anterior e manifestou solidariedade às pessoas que, segundo ela, se sentiram ofendidas ou desrespeitadas.
Logo no início da fala, Maria do Sagrado se solidarizou com Euler e Alexandra, que haviam se manifestado em nome da comunidade, além de todas as pessoas que se sentiram atingidas pelas declarações feitas anteriormente.
A vereadora explicou que não estava presente na tribuna na sessão anterior porque precisou deixar a Câmara mais cedo, mas afirmou que acompanhou a repercussão do episódio e chegou a se manifestar publicamente quando foi procurada pela imprensa.
Lei 10.639 e o papel da educação
Professora e atuante na área da educação, Maria do Sagrado destacou a importância da Lei Federal nº 10.639/2003, que estabeleceu a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas.
Segundo a vereadora, a legislação busca justamente promover a valorização da diversidade, da pluralidade e do respeito entre os diferentes povos que contribuíram para a formação da sociedade brasileira.
Para ela, levar esse conhecimento às salas de aula é uma das maneiras de enfrentar o preconceito desde a formação das crianças, adolescentes e jovens.
Maria do Sagrado também afirmou que o Brasil ainda enfrenta diferentes formas de preconceito e defendeu que a educação seja utilizada como instrumento de transformação.
“O conhecimento liberta”, destacou a parlamentar.
Vereadora explica questão envolvendo religiões de matriz africana
Outro ponto abordado durante o pronunciamento foi o preconceito contra manifestações culturais e religiosas de matriz africana.
Maria do Sagrado citou o termo “macumba” para explicar que a palavra possui origem relacionada a um instrumento musical de percussão, mas que acabou sendo utilizada de forma pejorativa para se referir às religiões de matriz africana.
Na avaliação da vereadora, o conhecimento permite que as pessoas compreendam o significado histórico e cultural dessas expressões e evitem reproduzir conceitos preconceituosos.
Ela também fez questão de diferenciar o ensino sobre religiões da prática religiosa dentro das escolas.
Segundo Maria do Sagrado, o Estado é laico e a escola também deve ser. Dessa forma, o objetivo do ensino previsto na legislação é apresentar conhecimentos sobre história, cultura, artes, literatura e religiões, e não realizar rituais ou promover uma determinada crença.
“Esse microfone precisa ser usado com responsabilidade”
No momento mais contundente de seu pronunciamento, Maria do Sagrado chamou a atenção para a responsabilidade dos vereadores ao utilizarem a tribuna.
A parlamentar defendeu que o espaço de fala do Legislativo seja utilizado com respeito e responsabilidade, principalmente porque as declarações feitas no plenário alcançam toda a comunidade.
“Esse microfone nós temos que usar também com respeito”, afirmou.
A fala da vereadora reforça o debate sobre os limites e a responsabilidade dos discursos no ambiente político, especialmente quando envolvem questões raciais, religiosas e culturais.
Ao encerrar, Maria do Sagrado voltou a defender que o conhecimento e o respeito sejam instrumentos para enfrentar o preconceito e promover uma sociedade mais consciente sobre sua própria história e diversidade.

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