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Vice-presidente da ASPAS cobra mais estrutura para crianças autistas durante uso da Tribuna Popular na Câmara de João Monlevade.

A vice-presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas e Pessoas com Neurodiversidade (ASPAS), Alana, utilizou a Tribuna Popular da Câmara Municipal de João Monlevade, durante a reunião ordinária realizada nesta quarta-feira (17), para defender os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e chamar a atenção para os desafios enfrentados pelas famílias na busca por atendimento, inclusão e suporte adequado.

Em um pronunciamento marcado pela emoção e pela defesa da inclusão, Alana destacou que episódios envolvendo crianças autistas não podem ser analisados apenas sob a ótica do comportamento, sem que sejam consideradas as dificuldades enfrentadas diariamente por essas famílias e as limitações estruturais dos sistemas de saúde e educação.

Segundo ela, muitas vezes a sociedade direciona julgamentos às próprias crianças e aos seus familiares, ignorando fatores como a falta de terapias, a escassez de profissionais especializados e as dificuldades de acesso aos tratamentos necessários para o desenvolvimento das pessoas diagnosticadas com TEA.

“A sociedade vê a crise, mas não vê a falta de assistência. Vê o comportamento, mas não enxerga a ausência de tratamento e suporte que muitas famílias enfrentam diariamente”, afirmou.

Durante sua fala, Alana ressaltou que o autismo é uma condição do neurodesenvolvimento e que cada pessoa autista possui características, necessidades e níveis de suporte diferentes. Ela alertou para o perigo das comparações entre crianças autistas e criticou o preconceito, a intolerância e o capacitismo ainda presentes na sociedade.

A representante da ASPAS também questionou a responsabilidade do poder público diante da política de inclusão escolar. Segundo ela, se o Estado determina que as crianças autistas sejam matriculadas em escolas regulares, também deve garantir profissionais capacitados, estrutura adequada e suporte multiprofissional para que a inclusão aconteça de forma efetiva.

“Não basta apenas matricular a criança. Inclusão significa oferecer acolhimento, respeito, aprendizado, proteção e condições adequadas para o seu desenvolvimento”, destacou.

Alana enfatizou ainda que os pais não podem ser responsabilizados pelas falhas estruturais dos sistemas de saúde e educação. Para ela, as famílias são parceiras da inclusão, mas não podem carregar sozinhas a responsabilidade por garantir direitos que também são dever do Estado.

Representando a ASPAS, a vice-presidente afirmou que sua atuação tem como foco a defesa dos direitos das pessoas autistas e de suas famílias. Ao encerrar o pronunciamento, reforçou que uma sociedade verdadeiramente inclusiva deve deixar de questionar por que uma criança autista tem dificuldades de adaptação e passar a discutir o que ainda falta para que escolas, poder público e sociedade estejam preparados para acolhê-la com dignidade.

A manifestação foi acompanhada por vereadores, representantes da comunidade e familiares de pessoas autistas presentes no plenário da Câmara Municipal.

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