As chuvas de intensidade excepcional que atingiram Juiz de Fora entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça provocaram um dos episódios mais graves já registrados no município. O balanço parcial aponta 14 mortes, além de centenas de pessoas desabrigadas após deslizamentos de encostas, alagamentos repentinos e o transbordamento do Rio Paraibuna. Diante da dimensão dos danos, a prefeitura decretou estado de calamidade pública por 180 dias, medida que permite agilizar ações emergenciais, mobilização de equipes e solicitação de apoio estadual e federal.
Segundo levantamento da Defesa Civil de Minas Gerais, o volume de precipitação acumulado em fevereiro ultrapassou 580 milímetros, mais que o dobro da média histórica para o período. O solo totalmente encharcado favoreceu o avanço de deslizamentos em diversas comunidades, enquanto enxurradas rápidas arrastaram veículos, interromperam vias e invadiram residências durante a madrugada. Bairros inteiros enfrentaram bloqueios devido a quedas de barreiras, alagamentos extensos e danos estruturais.
O número de pessoas desabrigadas já supera 440, distribuídas em abrigos improvisados em escolas e centros comunitários. Equipes sociais acompanham as famílias, enquanto engenheiros civis realizam vistorias para identificar áreas que oferecem risco imediato de colapso. O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais mantém operação contínua, atuando no resgate de moradores isolados, remoção de escombros e busca por desaparecidos.
A prefeitura suspendeu temporariamente as aulas da rede municipal e orientou a população a reduzir deslocamentos, especialmente em regiões próximas a encostas e margens de rios. Técnicos municipais monitoram pontos críticos com risco de novos deslizamentos diante da instabilidade do solo. Pontes, sistemas de drenagem e estruturas urbanas apresentam danos significativos, obrigando o poder público a priorizar rotas alternativas e intervenções emergenciais.
Com o decreto de calamidade, o município está autorizado a acelerar contratações e solicitar reforço imediato para assistência, contenção de encostas e reconstrução de áreas afetadas. Autoridades alertam que o cenário permanece crítico devido à previsão de novas chuvas para os próximos dias, o que mantém o nível de alerta elevado e exige atenção redobrada por parte da população.






